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The Queen is Dead, lançado em junho de 1986, é considerado pela maioria dos fãs dos Smiths como o melhor álbum da (curta) carreira deste grupo, e que consolidou de maneira inquestionável o sucesso da parceria entre Steven Patrick Morrissey e Johnny Marr, apesar do contexto de situações adversas que mais tarde contribuiriam para seu fim. Marr estava tendo problemas por beber demais, havia desentendimentos entre a produtora Rough Trade e o grupo (o que fez com que o lançamento do álbum fosse adiado por quase oito meses), Andy Rourke havia sido dispensado por problemas com heroína (substituído temporariamente por Craig Gannon) e Morrissey vinha sendo interpretado por seus críticos como cada vez mais "egocêntrico e mal-humorado", provavelmente por sua conhecida aversão a videoclipes e entrevistas. Em The Queen is Dead, Morrissey critica ferozmente a família real britânica, insinuando sua omissão e distanciamento quanto aos problemas que a sociedade vivenciava e traduzindo a solidão de uma juventude sem perspectivas através da frase "Life is very long, when you’re lonely". Sobre Frankly, Mr. Shrankly, que possui uma sonoridade mais pop e descomprometida, comenta-se que sua letra foi inspirada nas divergências entre os Smiths e a Rough Trade. Há alguma referência também sobre o mal-estar causado por não fazer o que se realmente gosta. I Know It’s Over tem como tema o suposto fim de uma relação, numa abordagem triste, porém incrivelmente bela. As conseqüências de uma frustração parecem realmente ir de encontro ao que qualquer um de nós já deve ter visto – ou mesmo vivido – algum dia, e nos ensinam que "It’s so easy to laugh/It’s so easy to hate/(but) It takes strenght to be gentle and kind".
Never Had No One Ever segue o ritmo mais lento da faixa anterior e fala essencialmente sobre a solidão, porém sobre sua letra repousa um mistério: "I had a really bad dream/It lasted 20 years, 7 months and 27 days". O que teria acontecido com Morrissey? Com o que será que ele teria sonhado? Cemetery Gates é tida como a resposta de Morrissey aos críticos que o acusavam de plagiar textos de autores como Shelagh Delaney e Elisabeth Smart. Oscar Wilde, outro de seus autores preferidos (que eventualmente também era acusado de plágio), estava "ao lado" de Morrissey, razão pela qual este último declarou-se "vencedor" do confronto representado na música entre ele e aqueles que o criticavam. Em Bigmouth Strikes Again, Morrissey insinua que o fato de ele dizer o que pensa é algo tão condenável a ponto de ele não ter mais direito a fazer parte da raça humana – o que logicamente é uma auto-crítica totalmente cínica o sobre o teor de suas letras. Nessa faixa, que segue um ritmo mais acelerado assim como The Queen is Dead, há referências à Joana D’Arc e uma fã dos Smiths que era parcialmente surda e sentia-se constrangida por ter que usar uma prótese auditiva. Quando o single dessa música (que é um dos maiores sucessos dos Smiths até hoje) foi lançado mais tarde, Morrissey usou uma prótese durante os shows em apoio a essa fã. Outro ponto curioso é a voz de fundo que surge durante o refrão, atribuída a uma certa Ann Coates, quando na verdade Ancoates é o local de Manchester onde a banda formou-se, e a voz nada mais é do que a do próprio Morrissey, reproduzida de forma acelerada. Na seqüência, temos The Boy With the Thorn in His Side, outra faixa que tornou-se clássica, e não é difícil perceber a razão disso. A melodia contagiante e a batida pop "aconteceu" nas pistas ao redor do mundo e continua convidando todos a cantar juntos sobre a eventual descrença dos outros em relação a nossos sentimentos, e a busca por uma maneira de vivê-los plenamente – "And when you want to live/How do you start?/Where do you go?/Who do you need to know?". Vicar in a Tutu, um rockabilly com sonoridade um tanto engraçada, não poderia deixar de ser uma ironia – e dessa vez o alvo é a igreja. Embora não seja das mais conhecidas, vale a pena resistir à tentação de ir direto à próxima faixa, mesmo porque, assim como Frankly, Mr. Shankly, esta aqui representa um lado mais alegre (porém não muito lembrado) do álbum. |
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Innen Wahrheit |