Os Estilos dos anos 80

New Wave


Modelo do estilista Angelo Tarlazzi

Capa do disco Paralleks Lines do Blondie.

O New Wave, enquanto estilo musical e tendência da moda, tem uma conceituacao um tanto quanto complexa pelos inumeros desdobramentos aos quais deu origem. Surgido no final da decada de 70, tinha como principal caracteristica a oposicao as tendencias vigentes no cenario pop-rock. A “nova onda” diferencia-se deste por apresentar um posicionamento bem diverso da destrutividade e do anarquismo caracteristicos do punk, apresentando uma sonoridade mais alegre, uma maior sofisticação musical, apresentando um estilo mais complexo e um carater crítico social e poítico de forma humorada, descontraída, usando e abusando da vivacidade, da ironia e do pastiche. “New Wave” era praticamente qualquer som produzido com qualidade na época. Tudo que era diferente do punk, era New Wave! Por aqui, de forma equivoada, dividiu-se o movimento em vários estilos como se fossem coisas diferentes (como New Romantic, Synthpop, Industrial, Gótico, Two Tone e Electropop) como se todos estes estilos não fossem subgêneros da New Wave, mas no mundo inteiro tudo isso era só uma coisa - New Wave. Haviam subdivisões internas da New Wave, mas lá fora, sempre colocavam "Depeche Mode, banda synthpop, um subgênero da New Wave", enquanto por aqui diriam algo assim: "Depeche é synthpop - nada a ver com New Wave, que é o Devo" como se fossem coisas opostas, absurdo tão grande ainda pode ser ouvido em terra brasilis, infelizmente. Podemos dizer que todos eles tinham como principal característica a associação do pop/rock com o crescente uso dos sintetizadores. Infelizmente, em terras tupiniquins, o New Wave era reconhecido apenas por bandas como Devo, B-52’s, e Nina Hagen, enquanto lá fora o New Wave ia de Duran Duran a Anne Clark, ou ainda de Culture Club a X-Mal Deutschland; aqui, para variar, a distorção foi não incluir estas bandas no New Wave, e considerar um dos maiores movimentos dos anos 80 como um estilo de apenas 3 nomes. Nas “versões nacionais” temos o Gang 90, Blitz, Metro, RPM e Azul 29, esses ultimos com um certo experimentalismo eletrônico, voltado para o Synthpop.

Alegria e pop culture andam lado a lado com cores vivas e fluorescentes: a mistura de tons fortes, já presentes nos modelos de Tommy Roberts e nas lantejoulas glam de David Bowie, toma proporções generalizadas no cenário pop, culminando em um estilo “clássico, básico e, ao mesmo tempo, não-convencional”. Temos como exemplos bandas como Devo, Duran Duran, The Cure, A Flock of Seagulls, Go-Go’s e B-52’s, sendo essas últimas mais que conhecidas pelo visual colorido e pela exploração de elementos da PopArt, e a capa do álbum Paralell Lines, do Blondie, uma amostra fidedigna do estilo New Wave, cabelos curtos, visual mais bem cuidado, na verdade essa era a principal função New Wave: uma reação ao estilo hippie dominante no final dos 60, a idéia era se contrapor ao estilo, então ganhavam força os cabelos curtos, mas com franjas incomensuráveis, visual masculino estiloso, rompendo com aquela imagem de roqueiro dos 70, como era possível ver nos New Romantics, e pelo lado feminino o uso e abuso das chamadas cores cítricas (laranja, amarelo, verde-limão e pink). Angelo Tarlazzi foi um dos principais estilistas da época a explorar esse aspecto, com seus vestidos-lenço e suas variações sobre um mesmo tema “brilhante”. A exploração de materiais sintéticos, notadamente o plástico é outra característica marcante do estilo.

  
Devo, B'52s e Nina Hagen

Algo familiar com o novo par de brincos da sua irmã? Não é mera coincidência, já que o verão de 2007 promete ser (e está sendo) notoriamente New Wave, tanto no visual ditado por nomes como Scott Gerst e Hedi Slimare (ex-Dior), quanto nos tributos musicais de nomes do novo indie pop, tais como The Bravery, Franz Ferdinand e Killers. Escutar “Na Honest Mistake” dos primeiros remete a uma lembrança um tanto quanto familiar dos dois primeiros álbuns do Duran Duran.

Amanda Osti e Marcos Vicente

 


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