 1983, O technopop
já domina toda a Europa, dezenas de músicas que partem da Inglaterra,
se espalham por toda Europa, além do pai Kraftwerk da Alemanha. Então
inicia-se um processo de surgimento de bandas eletrônicas em outros países
europeus, como da Alemanha mesmo com Alphaville e Propaganda, da Noruegua
surge o A-ha, e ainda no anonimato até então, surgem dezenas de bandas
belgas como A Split Second,
o Front 242, o Neon Judgement e o Poesie
Noire. A França que parecia estar amorfa atrás inclusive
da Bélgica que já em 81 despontava no cenário eletrônico mundial, nos
presentea com aquela que seria a melhor banda no estilo Man Machine dos anos 80. Para ser mais "concreto",
eles realmente criaram um novo estilo de música. Podemos dizer até que
o estilo teria o nome de Trisomie 21, tudo
bem, podem discordar por aí, mas não há outra banda que faça o que faz
o Trisomie 21. Talvez o Poesie Noire
se aproxime bastante, seus poemas musicais lírico-românticos muito bem
mesclados com o uso de guitarras e sintetizadores para criar climas mais
tecno-existenciais. Com certeza bebem e muito influências, numa das bandas
que ao lado do Trisomie é uma das únicas do mundo que sabem acoplar música
eletrônica numa textura acústica e vice-versa: O New
Order. Assim, eram as 2 únicas do mundo a fazer essa dosagem
com extrema precisão jamais obtida por qualquer outra que tentou mesclar
eletrônicos e acústicos. Mas isso ainda definiria pouco o Trisomie, pois
além da sonoridade do New Order, tem muito coisa mais blue-trip-sound.
Aquela pitadinha de ethereal até e world com sons tribais aborígenes e
de uma suposta futura sociedade andróide como em
Joh' Burg, primeiro single da banda, e se evidencia no
Chapter IV. Até nos sons tribais,
unifica os sons primitivos com sons incompreensíveis quase aliens futuristas.
Pronto. Convencionou-se chamá-los de Synth Pop, e Cold Wave.... Mas não é definível é simplesmente
escutar de Firt Songs à Plays
the Pictures e viver esse melancholic cibernetic sound.
Embora seus primeiros registros sejam de 83, os irmãos Lompréz começaram
cedo e em 81 o Trisomie já era formado.
Com seus maravilhosos instrumentos e sua capacidade incomparável de programação
eletrônica e criação de texturas finas e apaixonantes, Hervé Lomprez é responsável pelo instrumental,
que ao lado de instrumentistas convidados, fazem a sonoridade da banda.
Nos vocais, esses realmente quase incompreensíveis, Philippe Lomprez desenvolve a melhor interpretação
melancólica de vocais que já apareceu na face da Terra. Mais que Simon
Le Bon no começo do Duran Duran,
Morrissey e Marc
Almond, as 3 vozes mais melancólicas dos anos 80, pois
sabiam muito fazer a variação de tons perfeita numa única sílaba oxítona,
dando o tom melancólico às canções. Philippe consegue uma variação maravilhosa,
quase como a própria voz mais bela dos anos 80 eleita na Europa, a de
Marc Almond. A única diferença é que em Almond é possível se entender
a música completa, mesmo porque ainda saiu um livro italiano com as letras
dele (excetuando-se uma, que inclusive só tem aqui, dê uma conferida...).
Talvez pela não popularidade do Trisomie, Philippe não esteja na relação
da supereleição dos melhores dos anos 80 (Em primeiro ficou Marc, como
já vimos, em 2º ficou o Morrissey seguido por Sal
Solo do Classix Nouveaux).
Mas injustiças à parte, esse vocal nos leva à viagens siderais pelas músicas
de seus álbuns, com enorme capacidade de cantar emocionalmente..
Seu álbum de estréia, aliás aqui surge uma dúvida transcendental, pois
no CD lançado posteriormente - The Firsts Songs
Vol 1 e Vol 2 coloca Passions Divisées como Vol 1 e Le
Repos Des Enfants Heureux como Vol. 2 mas no encarte da
coletânea The Songs By T21 Vol.1
aparece a ordem contrária, se alguém souber o porque disso, por favor
me envie um e-mail. Qual das fontes estará errada? Bom em
Le Repos Des Enfants Heureux lançado no mesmo ano da formação
da banda, 83 (estranho o Vol 2 ser lançado antes, alguma das informações
que obtive está errada, please help me...), temos o início dessa aventura
pelo Jardim dos Enforcados trissômico. Il Se Noié,
onde Philippe mostra seu incrível talento cantando na língua de seu país
de origem, o francês, banda francesa, assim como o Kraftwerk no seu início
cantando sua língua mãe. There's Something Strange
Tonight, e o grande hit do underground paulistano no fim
dos anos 80 Breaking Down. Aliás
Il Se Noié e Breaking Down representam essa influência do New Order tão
condenada por críticos internacionais (que classificam o Trisomie como
uma tentativa de imitar New Order com pitadas de Bryan Ferry), mas nesse
caso a influência é na origem do New Onder, é marcante a influência do
Joy Division nessas 2 songs, o rítimo da bateria de Stephen Morris é transformado
em sequências eletrônicas apaixonantes, e destaca-se a Decades
do Joy, que ganha uma espécie de versão eletrônica com novas letras e
vocais.
Em 84 Passions Divisées, seu segundo
álbum chega para delírio dos fãs, com o início de uma evolução eletrônica.
La Fête Triste um dos marcos dessa evolução instrumental
da banda. Teclados que atingem o limite da criatividade, talvez a genêse
de uma nova era, não derk e o Falco que começam cantando em alemão, a
Trissomia do 21 também fazia um disco voltado mais aos países de língua
francesa e culturas próximas, sem muito experimentar seu lado ethnic ainda.
Essa primeira song do primeiro álbum representa bem essa fase, maravilhosa,
o vocal em francês acompanhado de teclados ultra-românticos e a apoteose
ao som de uma guitarra ultra-melancólica tocada de uma forma jamais experiemtada
mesmo pelas bandas gótica-depressivas, seduz qualquer ultra-romântico
antenado. No mesmo álbum ainda destacam-sescrita na bíblia, extremamente
carregados de melancolia e romantismo, não tenho dúvidas que se Byron
e Álvares vivessem hoje comprariam todos os discos do Trisomie 21, isso
se não compusessem algo parecido com essa song. É um marco definitivo
na sonoridade da banda. Todas as palavras do mundo serão inócuas para
se descrever essa festa triste que o Trisomie convida a todos os neo-românticos
espalhados pelas dimensões universais. Uma dosagem perfeita entre o romantismo
e os teclados de tecnologia avançada, numa verdadeira blue-trip-song.
Não deixe de comparecer à essa festa se for principiante em Trisomie.
Nesse mesmo desenvolvimento dos eletrônicos usados para criar climas e
texturas melancólico-depressivas, numa viagem mórbida carregada de tristeza
cibernética. Mostrando porque eram melhores que os góticos, que não conseguiam
alcançar esse ponto de sonoridade dos eletrônicos, que bem usados criam
climas muito, mas muito mais depressivos do que as guitarras podem dar,
e muito mais que os próprios New Romantic, que embora estivessem carregados
dessa áurea melancólica não conseguiam explorar o máximo de seus teclados.
Pela influência do Industrial e do uso mais forte dos eletrônicos o Trisomie
consegue com uma base eletrônica o que jamais qualquer banda conseguiu,
um clima tétrico, mórbido e extremamente depressivo. Essa característica
já é notada em Relapse que unifica tudo isso anteriormente descrito,
eletrônica, futurismo, luxo, depressão, morbidez suicida, etc... See the Devil in Me também se mostra uma grande
faixa, embora muito presa ainda ao trabalho anterior da banda. Nestes
dois primeiros trabalhos o Trisomie contava com mais dois integrantes,
aliás como a banda começou. Nestes dois álbuns além de Philippe e Hervé
contamos ainda com Pascal Tison que permaneceu entre os deuses dos anos
80 apenas esses álbuns e Jean-Michel Matuszak
que acompanharia praticamente toda a carreira da banda, pode ser considerado
até como o 4º membro (e depois o 3º, variando com a formação, uma espécie
de membro oculto como Daniel Bressanuti e Emil Schult, respectivamente
no Front 242 e no Kraftwerk), embora apareça
creditado apenas como assistência, pois além dos instrumentos eletrônicos,
também colaborou em alguns vocais eventualmente e aparece em praticamente
todos lançamentos da banda. Pode-se dizer que era uma banda formada por
4 pessoas, mas sem dúvida com apenas uma alma, inspirada principalmente
pelos Lomprez, que conduziram a banda.
Chegamos em 85, e somos presenteados com um super EP mais ainda marcantemente
influenciado pela eletrônica Wait and Dance.
Desse 12" recebemos Waiting For uma das preferidas entre os fãs de
eletrônico no Brasil, a qual tem uma sonoridade vocal próxima a perfeição
(aliás atingida nos álbuns posteriores). Além de ótimos sequenciadores
criando uma base bastante dançante no melhor estilo Ultravox
que já se viu, que completam a música. Relapse II
mais uma vez chama a atenção pela conjunção baixo-teclados bem feita,
numa combinação à lá os destaques do New Onder nessa fase, o baixo de
Peter Hook e os sintetizadores de
Gillian. Mas é com Shadow
of Time que assumem essa característica, num início quase
sample de Blue Monday, e a música
levada num baixo bem Hook, claro com sua característica bem Dead
Can Dance que passaria a ser marcante nos trabalhos seguintes
da banda.
Chapter IV: Le je ne sais quoi et le presque rien
de 86. Agora sim a sonoridade da banda tornar-se mais clara. Atinge usa
sua mistura exata. Disco definitivo na história da banda. Atingem sua
sonoridade definitiva. Algo entre o melhor dos sintetizadores e baixo
do Synth Pop do New
Order e a mais profunda melancolia e nostalgia mitológica
do Dead Can Dance. Com The
Last Song, seu maior hit no Brasil, no set list de qualquer
revival dos anos 80, é a melhor mescla de Technopop com a música depressiva
até o momento em sua carreira, com uma maravilhosa introdução de teclados,
sente-se (no melhor estilo Bizarre Love Triangle) a entrada de cada instrumento
na música até a entrada triunfal dos vocais de Philippe, como se fosse
um poema do século, se percebe também a mudança de cada estrofe, delimitadas
pela separação de solos de guitarras extremamente technopop (pergunta-se,
como eles conseguem fazer isso?). Que característica. Então fãs de technopop
e gótico se encontram na pista da música mais "full dancefloor"
do underground brasileiro, depois de Inspiration do Section 25.
There's no Trouble There, é o que
melhor representa aquele som tribal alien futurista que descrevi no começo
dessa história. Sons vocálicos maravilhosamente sintenizados, numa comunicação
semi-alien "câmbio". Os teclados então nem se fala, melancólicos
mesmo, numa variação de poucos acordes, que carregam a música inteira.
Memories mostra como estes franceses
sabem manipular teclados e sintetizadores, numa programação de uma beleza
incontestável. Night Fly é outra
pérola desse álbum. Mas a melhor música do álbum, aliás entre as 2 melhores
de sua carreira está no final do álbum. A Segunda parte de uma música
que passa quase despercebida no álbum de estréia. Is
Anybody Home? (Part 2) é o auge desse casamento, já numa
sonoridade bem cold, mas cold mesmo e com teclados inconfundíveis, fazem
exatamente aquilo que parecia impossível, uma música extremamente eletrônica,
com mais alma que qualquer outra emotional tocada com acústico. Com muito
mais vida que as tentativas gothic de criar climas mórbidos. Aliás se
fosse pra escolher as mais pesadas, em matéria de carregamento depressivo,
está é uma das mais fúnebres da história. Lembro-me ainda a primeira vez
que ouvi essa música num programa chamado Novas Tendências que passava
aos domingos numa rádio de SP. Tocou junto com The Last Song (lançamento
dos álbum remixado) e no meio uma banda chamada Neon, aliás com uma música
muito parecida com Is Anybo..., infelizmente nunca mais ouvi falar dessa
banda ou se quer encontrei algo deles. Pra não mentir encontrei uma coletânea
de New Beat em 89 e uma de Techno 92, com uma banda chamada Neon, mas
não estou certo se é a mesma banda. Enfim, com essas músicas Trisomie
entra no underground internacional. Para quem conhece pouco de Trisomie Is Anybody Home? (Part 2) é muito mais que recomendada
é passagem obrigatória para continuar ouvindo música alternativa.
Em setembro de 86, ainda mais um EP, o primeiro 12" com remixes e
novas versões da banda. Com uma capa maravilhosa e uma sonoridade incrível.
Joh' Burg é a maravilha do uso tribal
com eletrônicos em música. Com rítimos extremamente tribais, vozes de
rituais ao fundo trabalham impecavelmente a programação eletrônica da
percursão, baixos dançantes e o primeiro sample do Trisomie, no meio da
música aquela parada repentina, um sample da energia da primeira voz sintetizada
da história de The Voice of Energy
do Kraftwerk remixado, e a volta da música ao rítimo normal.
Talvez essa fosse a maneira que encontraram de homenagear os pais do Techno
Pop. Neste EP ainda encontramos versões inéditas para Il
Se Noié e uma versão bem mais incrível da já maravilhosa
La Fête Triste, introduzindo uma perfeita percursão sobre aquele instrumental
sintetizado já perfeito.
Finalmente o álbum da minha grande dúvida. Em 1987 lançam First
Songs Vol I e II, a grande "dúvida" na ordem
dos volumes. Um relançamento dos primeiros álbuns Passions
Divisées e Le Repos Des Enfants Heureuxem
em CD. Num único CD reunidas várias perólas tipo T-21. Indispensável a
qualquer discoteca básica de góticos, neo-românticos e technopopers de
plantão.
Nessa mesma fase de relançamento, relançam o primeiro EP Wait
& Dance (como preferem fazer a discografia da banda
por aí, embora eu considere o 3º álbum, aliás com mais músicas que muitos
EPs, mas com menos que qualquer álbum, T-21) e o quarto trabalho fonográfico
da banda Chapter IV. Mais uma vez
em um único CD, com um detalhe que já os diferencia do resto do mundo
na época, as mesmas músicas dos dois álbuns completos, todos com novas
versões, remixes e até novos vocias e instrumentos. Ótimo, mesmo pra quem
tem os originais, é obrigatório ter esse CD pelas novas versões (aparentemente
não muito diferentes) de Last Song (extremamente mais eletrônica a introdução,
embora a original seja mais marvilhosa), algumas ganharam até vida nova,
com regravações que voltaram a preencher as horas de tantos corações desolados.
Esse CD é Chapter IV and Wait and Dance Remixed. Aliás infelizmente
para os novos fãs, parece ser o único CD que as lojas alternativas parecem
ter ultimamente com raras excessões. Decepção! Nessa regravação já contam
com Laurent Dagnicourt no baixo substituindo
Pascal, aliás baixo esse de grande destaque em várias canções como em
Your Dream que ganha uma versão mais bem worked
ainda. Com um baixo extremamente bem tocado. Matusak nesse CD faz
vocais adicionais em Memories. E
Entre nós que capa maravilhosa, aliás uma das mais lindas que vi na minha
vida, um quadro de Goya, quando Cronos comia um de seus filhos na mitologia
grega. Que capa maravilhosa!!! As gravações desses remixes aconteceram
em 85, embora nunca tivessem sido lançados antes.
Apesar do aparente estado de latência da banda, pelos relançamentos, o
T-21 lançava em fevereiro do mesmo ano um EP meio obscuro, sem grandes
músicas para a maioria do cirtuito alternativo, mas com grande capacidade
de composição. Shift Away. Gosto
tanto desse álbum obscuro em sua carreira que, vou fazer uma "revelaçãozinha"
agora, a música que deu nome ao álbum era o principal backsound do programa
Projeto Autobahn em 96 (nos primeiros anos todo mundo sabia que era In the Name of the Father do Tek
Noir). Durante 96 sempre abri e usei nos inervalos de explicação
de músicas e bandas a música Shift Away, quem conhecer vai lembrar do fundo
que ficava no programa. Encontramos também uma nova versão para Djakarta, bem realizada. E o clima inesperado de
Ravishing Delight. Que Delight, mesmo!!!
Agora o que realmente é incomparável é a capa desse álbum. Sem dúvida
alguma a melhor capa até hoje, a mais bem elaborada, linda, apaixonante,
cores muito bem escolhidas, imagem muito bem escolhida, desenho bem elaborado.
Uma capa para a eternidade, desse que é um dos mais desconhecidos e melhores
EPs do T-21. Essa sim a capa do século.
Ainda em 87 o melhor álbum da banda, aliás o melhor trabalho de todos
os tempos. Million Lights. Seria eu um blasfemo ao tentar descrever essas
músicas sem dar-lhes a oportunidade de conhecer o álbum. Antes de ler
essas linhas recomendo que compre o álbum. E dica: mais do que nos discos
da Enya e do Dead Can Dance é preciso ouvi-lo do início ao fim sem interrupção,
sem cortar ou pular a sequência de faixas, aliás sem se quer qualquer
som ou imagem em volta que possa tirar sua atenção, lembro-me quando ouvia
esse álbum jogando um game que tinha acabado de conhecer e estava completamente
viviado nele. Era o lançamento do Doom 1.8. Tirei o som de fundo e coloquei
esse CD. Ou seja, o que quer que esteja fazendo ao ouvir esse álbum, tenha
certeza que serão os momentos mais viajantes e desconcentrados que viverá.
Uma viagem inclusive extra-sideral. Além vida e morte. Uma viagem à mitologia,
ao passado, ao futuro, ao presente próximo que não podemos enxergar. Quebrando
todos os limites de nosso próprio corpo. Ouvir The Clencher, a melhor música do álbum (e da banda)
é como massagear a alma numa noite fria e solitária. Uma massagem leve
na alma, como o toque de lençóis de viscose na pele nua. Nada se compara
à canção que terão ouvido pela manhã, quando acordarem, ou a inspiração
sonífera num ataque impiedoso de Morpheu ao ouvir antes de adormecer.
Uma viagem incontrolável. A belíssima canção Some
Twenty One Miles From The Coast, é também uma das mais
belas canções feitas pela banda (que depois ainda ganha mais atraente
ainda no álbum ao vivo, aliás o principal atrativo desse álbum ao vivo),
sequências de teclado viajantes, qeu produzem um efeito em nosso cérebro
totalmente emocional. Seríamos aprovados em qualquer teste de empatia
após ouvir essa música. Nem Deckard nos identificaria. Na verdade nesse
álbum eles demonstram mais humanos que qualquer outro ser humano. Mais
emocionais, mais inclusive intrigantes. Mais emotivos, muito mais emotivos
que o resto da humanidade. Esse álbum decreta o ponto máximo do Trisomie.
Poucas bandas tem álbuns tão constantes, embora pareça até pobreza de
tons e teclados diferentes, esse álbum carrega uma sequência perfeita
de músicas e tons. Como se fosse uma continuação com grandes variações,
representando talvez a nossa vida tão inconstante com momentos de esperança
e tristeza. Variando momentos de esperança e busca (alegria é impossível
encontrar nos álbuns do T-21), e momentos de extrema melancolia, morbidez
e tristeza. Variando entre o incompreensível e o delicado, o convencional
de guitarras e baixo e o ultra-sofisticado de eletrônicos, com teclados,
bateria e samplers de última geração. Efeitos sonoros pululam nesse álbum.
Cada música tem mais efeitos sonoros que a anterior, e a recíproca também
parece ser verdadeira, um álbum conceitual. Extremamente minimalista nos
efeitos, programacões e detalhes e excessivamente carregado de eletrônicos.
Difícil diferenciar ou destacar alguma música além das já citadas. É como
ouvir um disco do Dead Can Dance e pular a primeira, a terceira
música, ou qualquer outra que quebre a sequência, tentar escolher as melhores
do álbum. Quase um crime. Mas temos que destacar alguns petardos históricos
para a formação da banda, sendo o disco definitivo na busca da sonoridade
perfeita. Como uma paisagem sonora a ser contemplada. Essa variação paradisíaca
entre o agradável som moderado, suave e catrivante e os efeitos de distúrbios
sonoros e nervosos, nos leva através das Million Lights. As 2 primeiras
pérolas são The Hazy Ridge (uma abertura fenomenal e completa)
e Sunken Lives, uma song bem elaborada,
com samples e efeitos de primeira linha. Essas são o ticket de entrada
do CD. Depois um clima instrumental-percusional, sem menosprezar sons
perdidos na noite There's A Strange Way This Morning? , para recepcionar
uma das 21 maravilhas do Trisomie, a música é Sharing
Sensation, aproveite e compartilhe também essa sensação.
Que música bem programada e vocais atraentes e inesquecíveis. Criando
climas inexplicavelmente contagiantes. E que sequência de percursão!!!
Realmente você compartilha essa sensação junto com com os 3 integrantes
fixos da banda, que poucas vezes foram tão autosuficientes como neste
marco do technopop, cold wave, eletronic. Helicópteros, efeitos eletrônicos,
eletro-acústicos, climas kraftwerkianos (por que não citar Cieu Ouvert
do Yello que representa essa
fase do Trisomie?), baterias com rítimos próprios. É como se as máquinas
ganhassem vida própria nesse álbum inquestionável. Como no sonho de Phillip K. Dick (de Blade
Runner), as máquinas ganham vida e inteligência próprias.
Sequências que só elas são capazes de produzir e entender. Numa sequência
mais ilógica e completamente sincronizada ao mesmo tempo. Essas 2 canções
que seguem são mais uma vez um aperitivo preparatório para as 21 milhas
da costa. Destaque para a maravilhosa também The
Fairylike Show, impecável no clima que pretende criar...
consegue cumprir esse objetivo sem falsa modéstia. A estrela da noite
se aproxima e enfim após a beldade Magnified Section
Of Dreams finalmente entra em cena.
The Clencher. Discreta, pesada, romântica, dura, suave,
ressucitadora, assassina, maravilhosa, enfim completamente impecável.
Encerram o álbum em grande estilo, com a música que deu nome ao álbum,
numa demonstração que sabem como começar uma banda crescer, atinigir seu
auge musical bem no finzinho de seu mehlor álbum e encerrar esse mesmo
álbum com um bis que resume todos seus sentimentos. Million Lights é essa música. Não tão maravilhosa
como a anterior, mas completa e anunciando que a banda já havia passado
de auge compondo.
A partir desse álbum começam a contar com a particpação nas mixagens de
Bruno Donini.
Após a 21ª maravilha do mundo, ficamos quase 2 anos sem novidades da da
melhor banda de todos os tempos. Mas quando retornam, dão demonstração
que ainda estão em sua melhor fase, e mais uma façanha, um ótimo álbum
com mais guitarras, e mais technopop (???). Só eles conseguem isso, o
álbum Works, volta ao estilo mais convencional (de música menos estranhas,
quebrado com Million Lights), fazendo canções mais intelegíveis, sequências
como as dos primeiros trabalhos, e é nesse estilo convencional da banda,
que mostram o quanto a fase Million Lights mudou a carreira deles, e experientes
em outras praias, fazem seu melhor estilo com extrema moderação entre
os acústicos e eletrônicos, se torna um technopop de luxo, se assim podemos
chamar, enquanto várias viviam seus últimos dias de glória em toda a Europa
que começava a substituir o Technopop pelo Acid House e Guitar Band, o Trisomie
era a alternativa a quem também pretendia ouvir outra coisa diferente
dos technopops ingleses que há anos dominavam as paradas britânicas, mas
não ia entrar na moda passageira e inconsequente dos guitar bands (que
mais à frente se mostrou ser passageira e inócua pra história da música).
Um technopop luxuoso vindo da França e que mais vez devido ao boom de
bandas belgas de 87-89, surge no cenário alternativo mundial, quando o
mundo abre as portas às bandas belgas e francesas (embora a grande maioria
fosse composta por belgas). Assim Trisomie faz seu technopop alternativo.
E Works é uma prova disso, The Missing Piece, uma das melhores canções do
T21, é maravilhosa, uma versão alternativa de New Order,
nessa fase mostram muito sua influência pelos ingleses deuses eletrônicos
(como o New Order era conhecido fora da Europa) pode-se até dizer que
fizeram essa música pensando nos deuses eletrônicos. A
Dirge for Love é mais um de suas demonstrações de dosagem
entre technopop e acústico, infelizmente nessa faixa exageraram um pouco,
se tiver a oportunidade de ouvir perceba por si mesmo o exagero de uma
das partes. Harbours and Stations
é outra pedra preciosa do álbum, e também entre as 21 maravilhas. West
Wind, merece ser ouvida com muita dedicação e atenção,
muito bem feita mais uma vez. E claro o remix de Another
Move dispensa comentários a qualquer apreciador de música
de qualidade. O álbum foi inteiramente gravado em 88 mas só chegou ao
mercado em 89, deixando os fãs naquela expectativa-desespero aguardando
o novo Work da banda. E como disse, a espera não foi em vão. Works se
mostrou bem T21, talvez o último dessa fase technopop-auge da banda. E
ainda a versão do pirata ao vivo do Trisomie para Joh' Burg, engraçado
ter um pirata oficial, paradoxal no mínimo, hehe. E ainda sair a mesma
versão do pirata num álbum oficial da banda! Só o Trisomie. Neste álbum
volta a ser quarteto, com a participação de Bruno
Objoie que introduz essas guitarras mais pesadas no álbum.
Em fevereiro de 89, pelo jeito os trabalhos do último álbum continua,
Works in Progress mostra que a sonoridade da banda
continua afiada. Embora já apresente sinais de parada no tempo. Betrayed, muito bela. E Another Move que dispensa comentários a qualquer
fã de música eletrônica. Bebendo influências de seu próprio primeiro LP,
aquele Moving by You de 1 minuto e pouco ganha uma nova música de mais
de 4 minutos de dominação apaixonante.
Depois de Works, Works in Progress, gravam um EP que parecia ser o final
da banda como quase todos que beberam da longa vida do technopop em toda
a década de 80. Lançam Final Work, uma previsão do final banda? Ou apenas
um trabalho definitivo, completo e por isso o nome? Uma coisa é certa
é o 12" inesquecível, o melhor 12 da banda, mostrando que ainda tem
muito a trazer para os fãs. Que não era hora de encerrar a carreira. E
que 12". Nunca fizeram nada tão conceitual, minimalista, completo.
Esse aliás foi o meu primeiro 12" da banda, está entre as 10 primeiras
músicas que ouvi deles, e em sua melhor fase, misturam a experiência perfeita
de Million Lights, a guitarreira
introduzida em Works, e o que viria
a ser um som mais ambiente que viria no próximo álbum. A New Outset, é exatamente, a banda começa de novo,
nasce de novo pra ser sincero, renasce e começa um estilo mais e mais
agora sim parecido com Enya e Dead Can Dance, com pitadinhas
de Jean Michel Jarre e até uma certa influência do New
Beat belga notado em W.S.W. (West-South-West),
uma de suas melhores composições, aliás a mais famosa do underground de
Osasco durante anos, um New Beat de muita, muita qualidade. A New Outset abre o 12 com uma sonoridade com uso
maior de guitarras, e eletrônicos à flor da pele. Uma introdução de percursão
exata, seguida por um solo de guitarra, e olha que amo teclado, um solo
de guitarra resplandescendor, então inicia-se o uso primoral do baixo,
e vários efeitos eletrônicos, inclusive um recurso usado nos eletrônicos
que simula um phaser exatamente em cima dos instrumentos e efeitos mais
eletrônicos da faixa, criando um clima completamente relaxante e viajante
durante segundos da música. Outro destaque é Bamboo, que quando começa parece mais uma daquelas
músicas de programas da rádio globo, ou do tipo Vale a pena ouvir de novo,
no melhor estilo Sérgio Boca, mas de repente param a song e entra uma
percursão tão completa e sequencial que atrairia a atenção de qualquer
baterista no mundo, usando muito bem os eletrônicos e um vocal que se
arrasta por toda a música no caminho da decadência apocalíptica rumo a
um suicídio crepuscular. Ainda destaca-se The Ghostlike, uma canção curta e apaixonante.
Aliás mesmo que quase todas as músicas reapareçam nos álbuns subsequentes
esta última foi a grande falta desses álbuns, consideraram-na menos importante,
mas o erro foi corrigido na coletânea da banda. Não sei como fizeram isso,
pois desde que comprei esse single considero essa música indispensável
a qualquer pessoa que queira comprender melhor o Trisomie. Mais uma vez
Bruno Objoie faz essa introdução de guitarras, com extrema exatidão.
 Mais um trabalho
conceitual.O Trisomie assume com T 21 Plays the
Pictures uma sonoridade mais minimalista. Com a máxima
precisão se aventuram nessa nova fase. Um álbum maravilhoso, esse mais
do que todos os outros seria um crime não ouvir todas as músicas, claro
exatamente na sequência que eles nos dão. As sequências cortadas ou coletâneas
perdem um pouco daquele clima. Recomendável para qualquer apreciador e
música de qualidade e para todos que adoram degustar até o limtie de uma
música. Não pode-se cortar esse clima. Exatamente o que pretendem com
esse criar, um clima sedutor, apaixonante, releasing, que mexa com nosso
subconsciente... Mesmo tendo essa necessidade sequencial, destacam-se
algumas trips desse álbum. Além das já citadas do último single, ainda
merecem audição dedicada One Last Play,
uma maravilha música trissômica, uma das melhores do álbum, com n continuações
no próprio álbum. Continuação do clima, esse álbum apresenta uma semelhança
muito grande entre as músicas, na verdade são os instrumentos usados e
a idéia minimalista que se repetem ao longo do álbum. Outra curtinha maravilhosa
é Brewter's Millions. Right
To Reply (2) também exige essa audição mais atenciosa.
Bamboo 2 então é um crime se não for ouvida, muito
menor que a versão original, cria um clima centenas de vezes superior,
maravlhosa, excepcional, com uma percursão extreamente bem feita, e uma
abertura perfeita com 3 acordezinhos de guitarra gerando inclusive um
clima de suspense para a marvilhosa percursão que viria a seguir, o único
problema é ser muito curta, nada que não se possa resolver com um repeat...
Merece! Daí pro final do álbum esse clima não dispensa nenhuma música,
tendo destaque todas essas "last songs". Um trabalho minimalista
e completo. Uma complexa mistura de sons, samples, cinema e sua música
característica. Mais uma vez uma ótima capa, caprichando como sempre o
Trisomie também carrega essa marca de capas ora bem elaboradas ora realmente
maravilhosas. Sempre com ótima qualidade.

Já em 90, uma de suas grandes pérolas, e esse também mais um trabalho
indispensável. Que álbum. Com vários artistas convidados resolvem gravar
um álbum ao vivo, definitivo na história da banda. Com extremo primor,
Raw Material presentea todos os fãs
com o melhor do Trisomie nos palcos. Gravado na tour de Works em abril
e maio de 89 é o "trabalho" definitivo. Harbors and Stations
ganha uma qualidade muito superior ao vivo. The LastSong então é o clima
de delírio do álbum. Todas songs muito bem escolhidas, pode-se dizer escolhidas
a dedo trissômico. Waiting For e
Some 21 Miles from the Coast ganham versões extraordinárias,
aliás esta última em sua melhor versão e sendo o maior atrativo do álbum.
Sem ser injusto com a maravilha que ficou La Fête
Triste ao vivo. Il Se Noié
também está perfeita. Mas uma das principais versões e muito, mas muito,
muito mesmo bem tocada é Another Move.
West Wind também merece uma nota. Afinal, um álbum
indispensável, na discografia da banda. Pra quem quer conhecer melhor
Trisomie esse é bom lugar para fazê-lo. Participam desse álbum e da tour
da banda além de seus integrantes fixos o próprio Bruno
Donini das mixagens de estúdio, Fabio
Povegliano, Christian Mahy,
Dominique Revert, Pierre
Yves Tazartez, Antoine Comont,
, Gilbert, Rob
and Pilly.

Em 1991, a coletânea que todas as bandas deveriam fazer, pelo menos pra
nós brasileiros que temos dificuldade em conseguir todos os 12" de
uma banda. A coleção de todos os singles 12" da banda -
Side by Side, até nisso se assemelham ao New Order. Lançando
a coletânea do 12". Aliás a característica do Trisomie é nunca lançar
7", isso a torna realmente a banda do eletro-pop e dos 12".
Essa coletânea traz tudo que de melhor eles fizeram durante toda a década
anterior, a coletânea de 12", com seus trabalhos em 12" quase
completos (Final Work não está completo). O 12" Joh'
Burg, primeiro da banda abre a coletânea, com seu respectivo
lado B, seguem-se a maravilha de Shift Away,
Works in Progress e 2 songs do Final Work além de uma faixa em versão inédita
- Take the Shock Away. Cada um desses
12" com sua história e suas respectivas maravilhas. A textura na
capa mostra mais uma vez como sabem elaborar maravilhas inclusive na capa,
no entrelaçamento, mais uma maravilha do T21.
Em 92, Distant Voices, mais uma mudança na sonoridade da banda, dessa
vez uma mudança radical, praticamente anulando aquele rítimos mais dnaçante
de Chapter IV e Works. Como sempre cada álbum do Trisomie é uma surpresa,
e como estavam há 3 anos nada de novo em suas gravações, a banda se afsta
para um reflexão, e resolve conscientemente fazer essa mudança, mais world-trip
do que nunca, mais uma vez mudando radicalmente como a surpresa de Plays
the Pictures, que aliás já apontava essa sonoridade mais light, se assim
pode-se dizer. Talvez mais minimal, mais concentrado, com texturas mais
finas, leves, preservando o ótimo poder de composição de Hervé Lomprez,
que neste álbum assume mais ainda o controle da banda sendo responsável
pela composição de grande parte das músicas desse álbum, já na "Decadance
Avec Elegance" do Trisomie. Embora tenha ótimas músicas, não
mais o mesmo Trisomie dos anos 80... Destaque para as belas Again
And Again (What A Regular World) e a música que dá nome
ao álbum Distant Voices.
Decretado praticamente o fim da banda com esse silêncio de 3 anos, que
volta à tona, com um disco novo com nova cara e infelizmente em decadência
que já vinha desde fins de 87. Ficam mais alguns em silêncio dando mostras
desse "triste fim", e suas Last Songs, sua despedida dos fãs
apaixonados que deixam pelo mundo, Trisomie é uma daquelas poucas bandas
que só não gosta quem nunca ouviu, pois qualquer pessoa que você mostrar
vai gostar, o que mostra, que só não ficou tão marcada na história dos
anos 80 por não ter a mesma atenção da imprensa, mesmo a imprensa alternativa,
que achava que falando do Pink Industry,
X-Mal, Front
242, Skinny Puppy
e Clock Dva achavam que cumpriam
seu papel. Doce Ilusão. Deixar Trisomie de fora tantos anos das matérias
de revistas e jornais, foi sem dúvida o maior crime cometido pelos críticos
de música, e pior durante tantos anos apenas uma página de discografia
em toda a internet e mais umas 6 páginas que dedicam de 3 a 20 linhas
a comentar da banda. Espero com essa sub-página do Projeto Autobahn poder
informar e completar um pouco mais sobre o Trisomie na internet que merece
muito, mas muito mais que apenas uma page de discografia, e outras 6 que
apenas citam a banda. Aqui está minha contribuição para que essa que é
a minha banda preferida (ao lado do New Order, que não posso deixar de
fora essa que foi minha porta de entrada para a música alternativa com
Low Life em 85) assuma o lugar que
merece na internet, o primeiro!

Para completar essa parte, é necessário o registro das 2 ótimas coletâneas The Songs by T21 Vols. I e II. Destaque
para os trabalhos do Final Work, Works, algumas do Million
Lights e a maravilhosa versão original de The
Last Song (lembrando aquela época que a Woodstock
tocava aquela músicas maravilhosas no fim da década passada). Aliás ao
lado do Cais, eram os melhores locais pra se ouvir música
de qualidade nos idos dos 80 e começo dos 90. Ë o volume 1 é muito bom,
mas o 2 fica devendo algumas songs que pensei que iam completar essa dobradinha.
O grande destaque do 2º CD é a versão exclusiva e inédita para La
Fête Triste, incrivelmente mais uma vez maravilhosa, num
piano esplêndido, tocado com maestria que só cabe ao Trisomie. The
Ghostlike finalmente aparece em CD. Mas temos que confessar
ficou faltando muita coisa boa. Breaking Down,
The Clencher, Some
21 Miles from the Coast e Harbours
and Stations são entre várias outras, obras-primas da banda
que nunca deveriam ficar de fora. Estariam com certeza numa coletânea
que eu fizesse tipo as 21 maravilhas do Trisomie 21.
Tenho minhas 21 preferidas e com certeza essas que citei estão nessa preferência,
mas em todo caso destaca-se a maravilha de A New
Outset presente na coletânea e um dos melhores "works"
da banda.
Mas a banda resistiu mais uma vez a esse novo silêncio: Depois de lançar
apenas um álbum em 7 anos a banda muda mais vez de cara, com vários novos
integrantes e participações especiais e grava Gohohako. Segundo rumores
inclusive da página de discografia do T21, esse pode ser o The last Work
da banda, que há muito aponta por esse caminho, talvez seguindo sua influência
Kraftwerkiano de lançar um álbum a cada x anos com trabalhos primorosos,
confunde muito nós os fãs incontestes da banda, que não sabemos se é prenúncio
do fim ou apenas um maior trabalho sobre cada álbum como os alemães da
Usina de Força faziam e ainda fazem. Participam desse útlimo trabalho
(até o encerramento dessa matéria) - Lena Kane,
Marco Palas, Rodolphe
Reisch, Blaine Reininger,
Thierry Serra e Philippe Perrez. Desaparecem Jean Michel e ambos
Brunos. Um fenômeno que atingiu quase todas as bandas que atravessaram
o entre-décadas e mudaram seus integrantes na mudança de década e sonoridade.
Cure, Front
e Depeche são apenas alguns
desses exmplos.
Mais uma vez espero contribuir com informações sobre está banda que suas
informações mantém sob trevas, escondidas e "ininenontráveis"
em praticamente nenhum lugar. Uma banda um tanto quanto obscura, mais
difícil de conseguir informações inclusive do que do Xymox, X Mal e Section25.
Ufa! Foi difícil, mas aqui está minha modesta contribuição para tentar
contar a história da melhor banda de todos os tempos. A banda dos sintetizadores
Technopop, dos vocais cold wave, da sonoridade eletro-acústica, do subconsciente,
do sonho, do sombrio, da tristeza, da melancolia, morbidez absoluta. Tétrica.
Obscura e até dançante com seus baixos Peter Hookianos. Marvelous. Incomum
e único T 21... Ah, o nome esqueci de explicar, mas qualquer um que tem
um conhecimento mínimo de genética sabe. Nem precisa explicar...
Músicas do Trisomie também foram incluídas em algumas coletâneas inclusive
com nome que transcreve exatamente o que faz o Trisomie. A primeira aparição
nessas coletâneas foi em The Dice Are Rolling
da Play It Again Sam em 1986, onde aparece ao lado de à;GRUMH...
e The Weathermen entre outros clássicos
com a música Waiting For. Em 1991
o que melhor pode definir a sonoridade da banda, a principal característica,
pela Zillo é lançada a coletânea que parece ter seu nome sido especialmente
escolhida para o Trisomie Romantic Sound Sampler,
exatamente o que faz o Trisomie. Um romantic sound sampler. Aparece ao
lado de Love Is Colder Than Death e Dead Can Dance entre outros, com a música Il
Se Noié. Em 92 uma supercoletânea como acontece geralmente
lá fora, sem medo de ser feliz com technopop e suas influências, só aqui
no Brasil alguns DJs monsters extremamente mal-informados não sabem que
Trisomie, Poesie, Pink Industry são herdeiros da geração Soft Cell, Human
League e Gary Numan. Uma coletânea com a nata do technopop, que além da
música The Last Song do Trisomie ainda conta com Human
League, Japan, Gary Numan, OMD,
Cassandra Complex, Clock DVA
entre outras maravilhas. Procure por Electrocity
Vol. 1. Indicado para quem tem bom gosto e conhecimento
suficiente sobre música eletrônica.
Para terminar deixo a palavra com eles mesmos: "Nossa intenção é
expressar emoções tão precisas e claras quanto possível com instrumentos
que você não acharia conveniente para esse tipo de música. T 21 é o tipo
de banda que cria atmosferas depressivas e portanto está mais interessada
em compor trilhas sosnoras para filmes do que permanecer com as antigas
tradições..."

Encarte do CD Raw Material, o álbum ao vivo. T21 live.
Bandas relacionadas
New Order,
Section 25, OMD, Xymox, Pink Industry, Kraftwerk,
Dead Can Dance, Neon Judgement, DAF, Cabaret Voltaire,
Vangelis, Brian Eno, Freur.
|